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Massagem nas Alturas

Empresas aéreas põem fim à primeira classe e criam uma executiva com mais espaço e conforto e até massagista para passageiros estressados

Viajar de primeira classe é privilégio de poucos. O passageiro paga mais de sete vezes o preço de uma passagem em classe econômica, mas passa longe da fila do check-in, viaja em poltrona que se converte em cama durante a noite, janta caviar com salmão regado a champanhe francês e espera seu vôo sentado no sofá da sala vip com um copo de uísque escocês na mão. Quando chega a hora do embarque, é conduzido atenciosamente até seu lugar. Todo esse luxo não é mais suficiente para garantir a sobrevivência da primeira classe nos jatos que fazem os vôos internacionais. No mundo inteiro, as empresas estão abolindo essa categoria de seus aviões. É o caso da belga Sabena e da italiana Alitalia, entre outras. No lugar da primeira classe, essas companhias estão investindo milhões para criar outra categoria, que combina preço de executiva com requintes que antes eram encontrados apenas na primeira classe. Só a americana Delta Air Lines, maior companhia do mundo em movimento de passageiros, anunciou no final do ano passado um investimento de 314 milhões de dólares no lançamento de sua BusinessElite, uma nova executiva que substituiu a primeira classe.

Além da Delta, mais cinco empresas estrangeiras com vôos para o Brasil já trocaram o serviço de primeira classe por uma executiva turbinada (veja quadro). Todas apresentam um serviço superior à média do que oferecem as executivas convencionais. Há empresas que proporcionam monitores de vídeo individuais, telefones sem fio a bordo para fazer ligações via satélite durante o vôo, cardápios assinados por chefs franceses e poltronas que inclinam 160 graus. Todas servem bebidas de primeira linha e fornecem mimos aos passageiros. Na Continental, as refeições não têm horário determinado, come-se na hora em que der fome. A Canadian chega ao requinte de colocar à disposição um serviço de massagista para o passageiro vip que espera a hora de embarcar em Toronto.

Até a década de 70, os aviões eram divididos em primeira classe e classe econômica. O cliente da primeira classe sempre foi o executivo de alto escalão. A executiva surgiu para atender à demanda de empresários e executivos médios que precisavam chegar descansados à cidade de destino mas não estavam dispostos a pagar tarifas tão altas. Os jatos passaram a ter três classes. Agora, a aviação parece estar entrando em nova fase. Em tempos de economia globalizada, as empresas precisam cortar despesas para se tornar mais competitivas. O altíssimo preço das passagens de primeira classe começou a fazer feio nas planilhas de custo. Resultado: mesmo diretores de alto escalão perderam a regalia de viajar de primeira. Uma pesquisa feita pela American Express revelou que, do total gasto por 611 grandes empresas do mundo com viagens de avião, 72% se referem a tarifas de classe econômica. As viagens em executiva respondem por 24%, e apenas 4% do orçamento com passagens é gasto na primeira classe. "Até alguns anos atrás, os diretores de empresas brasileiras e portuguesas só viajavam de primeira classe", diz o diretor comercial da TAP no Brasil, Carlos Madeira. "Agora, a procura pela executiva ficou muito maior."

No Brasil, mais da metade do faturamento das empresas aéreas com vôos internacionais deve-se ao homem de negócios. O executivo paga mais pela passagem para viajar com mais conforto e com menos restrições de datas. Nos vôos da Continental ligando São Paulo a Nova York, por exemplo, 60% dos passageiros da classe executiva embarcam a trabalho. Na econômica, a maioria é de turistas. Hoje, a classe executiva é quase sempre a primeira a lotar nos vôos internacionais. "Um jato com nossa BusinessFirst lotada chega muito perto de se pagar", diz Giovanni Luigi, diretor-geral da Continental no Brasil. É para agradar aos homens de negócios que as empresas estão melhorando sua classe executiva. A tendência foi inaugurada em 1986 pela inglesa Virgin Atlantic, que até hoje permanece a campeã em regalias. Seus passageiros são apanhados em casa ou no hotel por limusines, têm um bar à disposição dentro do avião e podem até requisitar uma massagista para atenuar o desconforto de uma viagem entre Londres e Los Angeles. Tudo por um preço inferior ao da primeira classe.


Fonte: Revista Veja 

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